ATEAC - Instituto para Atividades, Terapias e Educação Assistida por Animais de Campinas
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Mel Nara


Nome:

Mel Nara

Raça:

Golden Retriever

Trabalha:

Hosptial Mario Gatti

Idade:

8 anos


Vale um Filhotinho – um cartão de aniversário em julho de 2005 – assim começou uma nova etapa na minha vida.

Aos 53 anos, tendo acabado de me aposentar, perdi meu marido para um câncer. Estranho como desde então esta doença me acompanha de perto.
Meus filhos se uniram para me presentear com um cãozinho, o melhor presente de aniversário jamais recebido. Momentos difíceis se misturaram com aquele ursinho de pelúcia ao vivo. O vazio se preenchia com uma cauda abanando pra mim, latidos cobravam uma bolinha, a tristeza era compartilhada com um olhar terno, silencioso, respeitoso, um cúmplice nos momentos de dor. Enquanto eu ficava sentada na escada do corredor que leva ao quintal, ela conheceu o sabor da lágrima, me lambia o rosto até conseguir me fazer rir. E ela foi crescendo, acompanhando a minha dor e me vendo ficar cada vez mais forte.

Força que eu encontrei no curso de Espiritismo no Educandário Eurípedes. E, como nada é por acaso, foi lá que eu topei com um cartaz: “Seja um voluntário com o seu cão”. A Silvia Jansen só faltou escrever, “Satie, isto é para você”. E foi assim que tudo começou.

A princípio, apenas um projeto, e que projeto! Me apaixonei, pois além de levar alegria às crianças, a satisfação de vê-la trabalhando me fortalecia cada vez mais. Como resistir, como ficar indiferente, como não acreditar?

Mas, nem tudo foram alegrias. Um exame de raio X confirmou o que temíamos, displasia coxo-femural grau E, e eu experimentei um novo tipo de dor.


Até quando ela teria forças para se sustentar? Era preciso evitar todo tipo de situações que pudessem acelerar a gravidade do quadro. E conseguimos! Difícil até de perceber qualquer anomalia em seu corpo.

E mais uma vez, acredito que nada é por acaso. Entramos em contato com o canil, e pelo contrato, eles me disseram que iriam substituir o filhote. Como assim? substituir um filho com defeito? E o que seria feito dele? Eu jamais entregaria o que é meu. E assim, graças a um “defeito”, eu recebi de indenização um novo filhote, desta vez não foi um ursinho de pelúcia, e sim, um gatinho de pelúcia. Terrível, miudinha e arteira, vivia coberta de terra, impossível prendê-la em qualquer espaço. Na época eu reformava o quintal para colocar um piso não escorregadio, e ela ficava lá, cavando sem parar. Mas ela cresceu, até mais do que eu previra, e ficou linda, uma nova raça que eu chamei de golden toy. De um temperamento incrível, afetuoso e dócil, conquista todo mundo que se aproxima dela, na verdade, é ela quem se aproxima de todo mundo.

Rapidinho, também foi requisitada pelo projeto. Seu primeiro dia de trabalho, aos cinco meses, foi filmado pela Globo, na Casa da Criança Paralítica, e apresentado no programa do Serginho Groissman. E aí, gostou de ser artista, não parou mais.

Eu, pelo contrário, tive que parar. Em 2008, descobri um câncer na tireoide. Fiquei afastada da ONG por seis meses. Em 2011, parei mais uma vez, um tumor me levou o rim esquerdo e me afastou do trabalho por um ano e meio. Mas as duas continuaram levando alegria para as crianças do HC, nas mãos de outros voluntários. E em casa, me deram a energia de que eu precisava para continuar lutando. Na fase difícil do tratamento, eu sempre pude contar com elas pra me alegrar e acreditar que a vida é bela, e que não podemos desistir, jamais. De volta à vida normal, sinto-me cada vez mais forte, mais ávida por fazer pequenas coisas que são tão importantes na vida.

MEL e SOL, minhas terapeutas, levam no nome as iniciais dos meus filhos, Nadia, Andrea, Rita e Arthur – NARA, a quem devo tudo, desde que recebi o cartão: Vale um filhotinho.

Satie Karasawa