ATEAC - Instituto para Atividades, Terapias e Educação Assistida por Animais de Campinas
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Batata


Nome:

Batata

Raça:

Poodle

Trabalha:

Hospital Mario Gatti

Idade:

9 anos



Muitos cães passaram pela minha vida… muitos mesmo…
Os que pude chamar de “meus” lembro de cada jeitinho deles, mas uma vai ser sempre lembrada de um jeito especial.

“Batata!!”… nome estranho para uma cadela… mas foi a primeira impressão que tive quando olhei para ela… gorduchinha, rolando pelo chão e, logo correndo para mordiscar o calcanhar ou o cadarço do tênis.

A entrada na ATEAC foi marcada por um desejo meu de aliar o meu trabalho a algo mais altruísta, tentei algumas associações protetoras, mas não apreciei o modo como meu trabalho era reconhecido e nem o modo como a minha pessoa era tratada.

Entrei em contato com a ATEAC e ficaram muito felizes por eu ser veterinário e perguntaram se eu tinha um cachorro que quisesse participar…. disse: Tenho (acho eu)!!
Tinha 03 opções: – Montanha (Rottweiller) apesar de dócil uma cadela que mete muito medo só de olhar….tsc,tsc.
– Mike (Yorkshire): um “espeto”. Não para quieto, não para no colo, “mija” em tudo que é canto… descartado.

Olhei, então, para a Batata: alegre, meiga, gosta de todo mundo que entra na clínica até as crianças… é ela mesmo. O que a princípio foi um jogo de eliminação se revelou uma escolha em mil.
Eu mesmo não acreditei no quão útil ela podia ser para os pacientes do hospital, seja se aconchegando ao lado de uma criança que nem sentar pode, seja olhando diretamente para o rosto do paciente como se entendesse a dor e o sofrimento, ou se deixando pegar no colo, com paciência, para que a menina a faça de boneca.

Aliás, essa é uma característica bem marcante no seu atendimento, muitos pacientes começam afagando apenas (alguns simplesmente devido à condição física), mas quando a internação está próxima do fim, já correm pelo corredor gritando: “BATATA!!!!” (isso a fez ficar relativamente famosa na pediatria do Hospital) pegando-a do meu colo e levando para o leito como se fosse seu urso de pelúcia. Alguns gritos Batata sabia de cor e você via um pouco de ansiedade (olhar arregalado e tensão no corpo) na sua atitude, mas ela atendia a todos do mesmo jeito: se aproximando… abaixando a cabeça… se deixando afagar… para finalmente olhar nos olhos do paciente como a dizer “confia em mim”.

A magia do trabalho dela está na doação… parece estranho, mas é o que eu sinto nela. Não vejo divertimento ou conforto quando ela trabalha… sinto compaixão… de um animal por um ser humano desconhecido para ela. Posso estar “humanizando” demais minha cadela? Pode ser… mas se somos fruto de um processo evolutivo… talvez a Batata esteja um pouco mais próxima de nós nesse quesito.
Se eu pudesse definir a Batata numa palavra seria GENTILEZA e, se podemos aprender com grandes mestres e grandes pensadores podemos parar para ver e observar uma cadela plantando, do seu jeito, as sementinhas de um mundo melhor.

Fábio Nakabashi


Créditos da foto: Kellen Magalhães